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Estudo avaliou os efeitos da eletroestimulação neuromuscular de superfície (EENMs) na função mastigatória e na fisiologia do sono em pacientes com paralisia cerebral

Publicado na revista científica PLOS One, em agosto de 2015, o estudo “Effects of Neuromuscular Electrical Stimulation on the Masticatory Muscles and Physiologic Sleep Variables in Adults with Cerebral Palsy: A Novel Therapeutic Approach” foi premiado pela American Academy of Dental Sleep Medicine em reconhecimento pela Excelência em Pesquisa Clínica. 

Além de propor uma nova aplicação da Eletroestimulação Neuromuscular (EENMs), o estudo foi além dos seus objetivos iniciais e obteve resultados na redução da apneia obstrutiva do sono (AOS). “Optamos por tratar com a estimulação neuromuscular, pois existia uma dificuldade de aceitação do aparelho intraoral. Acreditávamos que pacientes com paralisia

cerebral (PC) dormiriam melhor, mas para a nossa surpresa houve uma redução/eliminação da AOS”, explica a Dra. Lilian C. Giannasi, dentista do Sono, autora do estudo e vice-presidente da ABROS. 

Ronco, insônia e AOS são comuns nesses pacientes que, em geral, dormem pouco. “Uma das características da paralisia cerebral é o desequilíbrio entre músculos agonistas e antagonistas, inclusive dos músculos mastigatórios e das vias aéreas superiores, o que leva à alteração da função mastigatória e ao comprometimento da fisiologia da orofaringe e da língua, resultando no ronco e na AOS”, diz. 

Metodologia e resultados 

O estudo contemplou 13 pacientes (7 homens e 6 mulheres) com PC. Durante dois meses, duas vezes por semana, foram realizadas sessões de 20 minutos de EENMs nos músculos masseter e temporal bilateral. A avaliação foi feita por polissonografia e eletromiografia de superfície, antes e após dois meses de terapia. 

Os pacientes tiveram uma melhora significativa na musculatura mastigatória e nas variáveis fisiológicas do sono. Antes do tratamento, sete pacientes apresentavam ronco primário e seis AOS (4 leves e 2 moderadas). Após a terapia com EENMs, entre os pacientes apneicos, o IAH (Índice de apneia e hipopneia) reduziu de 13.3±7.1 para 2.4, ±1.5(p<0.001). Considerando o grupo de 13 pacientes, houve melhora no IAH de 7.2±7.0 para 2.3 ± 1.5 (p<0.05).

“A hipótese para este resultado foi que o estímulo elétrico aplicado bilateralmente nos músculos masseter e temporal reverberou nas cadeias musculares e atingiu a musculatura da orofaringe, repercutindo na melhora do tônus muscular da região e fazendo com que o IAH reduzisse a valores de normalidade”, explica Dra. Lilian. 

Outros resultados foram o tempo total de sono que aumentou de 185.4 ± 97.3 para 251.0 ± 79.5(p=0.04); a saturação da oxihemoglobina mínima (SaO2nadir) que aumentou de 83.6±3.0 para 86.4±4.0 (p=0.04); e a redução dos movimentos periódicos de membros de 2.9±3.0 para 0.2±0.7(p=0.001). 

Tratamento promissor

Os resultados sugerem que a EENMs pode ser uma terapia promissora, com bom custo benefício, para pacientes com paralisia cerebral e AOS, sendo um tratamento seguro, não invasivo, sem efeitos colaterais e sem contraindicações. 

“Estudos futuros são necessários para avaliar se a EENMs também pode ser uma opção de tratamento para AOS para pacientes sem deficiência e, ainda, com a vantagem de evitar efeitos colaterais na oclusão causados pelo uso do aparelho intraoral de avanço mandibular e pelo CPAP”, explica Dra. Lilian C. Giannasi. Em longo prazo, os aparelhos intraorais e o CPAP estão associados a alterações dentais, como inclinação dos dentes, mordida aberta posterior e outras.

REFERÊNCIAS:

Giannasi et al. Effects of Neuromuscular Electrical Stimulation on the Masticatory Muscles and Physiologic Sleep Variables in Adults with Cerebral Palsy: A Novel Therapeutic Approach. PLoS One. 2015; 10: 0128959.

Giannasi et al. Test-retest reliability of electromyographic variables of masseter and

temporal muscles in patients with cerebral palsy. Arch Oral Biol. 2014; 59:1352-8.

Fonte: Por Fabiana Fontainha, Revista Sono – Ed. 21(Janeiro, Fevereiro e Março 2020)  – Uma publicação da Associação Brasileira do Sono.

Foto: Freepik

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