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O estudo, coordenado pelos especialistas da ABMS e da ABS, apontou que 41% dos profissionais de saúde apresentam novas queixas ou piora nos quadros de insônia

Com o objetivo primário de investigar o impacto da pandemia na insônia entre os profissionais de saúde, correlacionando com diversos fatores incluindo ansiedade e burnout (estado de esgotamento físico e mental, cuja causa está intimamente ligada à vida profissional), os especialistas da ABMS (Associação Brasileira de Medicina do Sono) e ABS (Associação Brasileira do Sono) , coordenaram o estudo “Como está o sono dos profissionais de saúde em tempos de pandemia?” Considerado o maior estudo realizado recentemente no mundo sobre este tema, a pesquisa contou com a participação de mais de 4.900 entrevistados de todas as regiões do Brasil, no período de 30 de maio a 25 de junho de 2020. O estudo foi coordenado pelos Drs. e pesquisadores do Incor HCFMUSP Luciano Drager, vice-presidente da ABMS, e Pedro Genta, presidente da ABMS . “Este estudo é inovador por sua abrangência nacional e espírito colaborativo entre os coordenadores da ABMS e ABS. O número de participantes foi extraordinário, além de nossas expectativas, e retrata o grau de envolvimento que os profissionais de saúde estão tendo durante a pandemia”, comenta Dr. Pedro Genta.

“A partir desses dados, podemos intensificar nossos esforços para ajudar esses profissionais que, em sua grande maioria, atuam na linha de frente da Covid-19, a obterem melhor qualidade de sono. Isto pode não só melhorar a qualidade de vida, mas até mesmo a tomada de decisões no dia a dia deste trabalho que exige muito destes profissionais, comenta Drager.”

Os resultados desta primeira etapa da pesquisa revelaram que 41% dos profissionais de saúde entrevistados apresentam sintomas de insônia ou pioraram a insônia já existente durante a pandemia. Além disso, 61% dos participantes reportaram piora da qualidade do sono. Outro dado alarmante é que 13% dos entrevistados iniciaram tratamento medicamentoso para a insônia. Dentre os profissionais entrevistados, 55,7% relataram que atendem ou já atenderam pacientes com Covid-19, sendo a maioria técnicos ou auxiliares de enfermagem, enfermeiros e médicos. De forma interessante, o aumento da renda observado em alguns profissionais e o fato de trabalharem no consultório foram associados com menor chance de terem novas queixas de insônia ou piora da insônia.

Entre os fatores independentemente associados com novas queixas de insônia ou piora da insônia, destacam-se

  • Sexo feminino (75% de aumento);
  • Redução da renda em 30 a 50% (55% de aumento);
  • Alterações de peso (aumento ou redução) – aumento de 55 a 87%, respectivamente;
  • Atender ou já ter atendido pacientes com Covid-19 (28% de aumento);
  • Ter desenvolvido o burnout (quase 2x maior)
  • Ter ansiedade (o maior fator obtido relacionado à insônia neste estudo com 3x mais chance).

Fonte: Por Luciana Tierno, Revista Sono – Ed. 22 (Abril, Maio e Junho 2020)  – Uma publicação da Associação Brasileira do Sono.

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