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A psicofarmacologia busca incessantemente o hipnótico ideal, que mantenha um sono o mais próximo possível do fisiológico e, principalmente, que seja seguro para uso em longo prazo. Atualmente há um arsenal de classes medicamentosas com indicações claras na literatura médica para tratar a insônia. Certas drogas, principalmente do grupo dos antidepressivos, são utilizadas no Brasil como opção terapêutica geralmente para indivíduos com dificuldade para manter o sono. 

Conceitualmente, drogas hipnóticas devem produzir sonolência e agem, principalmente, por meio de mecanismos que envolvem o neurotransmissor ácido gama-aminobutírico (GABA), que possui subunidades com propriedades tanto hipnóticas quanto ansiolíticas. Os antidepressivos sedativos, por sua vez, apresentam secundariamente ações sobre o sono e, por isso, algumas drogas são usadas no Brasil para o tratamento do transtorno da insônia de manutenção. 

Escolher o fármaco ideal para cada caso não é uma tarefa simples. Por esta razão, surge uma questão crucial: o que é mito ou verdade na indicação dessas classes de drogas para o tratamento da insônia?

MITO: Acreditar que todo antidepressivo possui ação também hipnótica é uma ideia equivocada no tratamento da insônia. Há drogas desta classe que aumentam a latência e o tempo acordado após o início do sono, assim como redução do sono de ondas lentas, por exemplo. Dentre os sedativos, a doxepina tem indicação clara para o tratamento da insônia de manutenção. Outras drogas como trazodona e mirtazapina são utilizadas off-label com boa ação em baixas doses.

VERDADE: Os antidepressivos sedativos podem, em doses mais baixas das habitualmente usadas para tratar a depressão, ter efeitos terapêuticos para a insônia, principalmente na manutenção do sono e com efeitos adversos diurnos mais leves. Algumas drogas hipnóticas, como da classe dos benzodiazepínicos, podem ter ações ansiolíticas por atuarem também na subunidade responsável por essa ação, mas não são formalmente indicadas para tratar insônia pelos efeitos adversos, dependência, risco de abuso e alterações na macro e microarquitetura do sono. O tratamento farmacológico da insônia continua a ser um desafio alvo de intensas pesquisas. Congregar segurança, mínimos efeitos adversos, custos e atuação no sono mais próxima do fisiológico é um desafio que tem “tirado o sono” de pesquisadores e da indústria, mas com boas perspectivas recentemente divulgadas.

Dr. George do Lago Pinheiro é médico otorrinolaringologista, com atuação na área da Medicina do Sono.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

Azevedo, A., Alóe, F. & Hasan, R. Hipnóticos. Revista de Neurociências, vol 12, nº 4, out-dez, 2004.

Moraes, W. & et al. Sedative antidepressants and insomnia. Revista Brasileira de Psiquiatria, vol 33, nº 1, mar, 2011.

Sukys-Claudino L et al. Novos sedativos hipnóticos. Revista Brasileira de Psiquiatria, vol 32, nº 3, set, 2010.

Fonte: Por Dr. George do Lago Pinheiro, Revista Sono – Ed. 20 (Outubro, Novembro e Dezembro 2019)  – Uma publicação da Associação Brasileira do Sono.

Foto: Freepik

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