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É fato que o sono proporciona equilíbrio metabólico e conservação de energia. Para tanto, necessitamos respeitar nosso ritmo biológico, dormir e acordar no mesmo horário e perfazer as fases adequadas de sono, principalmente fases profundas como sono REM e sono de ondas lentas, também conhecido como N3. Neste último é quando ocorre maior estabilidade cardiovascular e regularidade respiratória. 

A intrusão de ritmo rápido no sono de ondas lentas é descrita em pacientes com dores crônicas, como na fibromialgia e nas dores oncológicas, proporcionando fragmentação do sono e aumento dos microdespertares. São as chamadas ondas alfa dentro do sono de ondas lentas, características da vigília relaxada, que é o momento em que fechamos os olhos e começamos a embalar o sono. 

Para o tratamento destas patologias que proporcionam dores crônicas e afetam o sono do indivíduo, há uma série de estudos envolvendo o uso de medicações, entre elas a gabapentina e a pregabalina. Além disso, medidas de relaxamento como ouvir música antes de pegar no sono parecem ser um bom artifício em concomitância ao tratamento medicamentoso. 

Um estudo publicado em 2016, chamado “The Effects of Music on Pain: A Meta-Analysis”, envolveu 97 estudos e sugeriu que as intervenções musicais em geral têm efeitos benéficos sobre a intensidade da dor, estresse emocional decorrente da dor, redução de anestésicos e analgésicos utilizados. Outra metanálise, publicada em 2017, envolveu 14 ensaios clínicos controlados e randomizados e demonstrou que a música foi capaz de reduzir não só a dor crônica, mas também a ansiedade e a depressão. Os melhores resultados foram obtidos quando a pessoa escolhia a música que queria ouvir. 

Quando se trata de melhora do sono, a música também parece ter efeito benéfico nos pacientes com insônia, por exemplo. Uma metanálise demonstrou efeito positivo da música na melhora de questionários como o de Pittsburgh, melhora na latência do sono (período para iniciar o sono) e melhora na eficiência do sono (quantidade de sono). Já outro estudo denominado “Effects of relaxing music on health sleep”, envolvendo música e resultados polissonográficos, demonstrou aumento na porcentagem do sono de ondas lentas.

No entanto, não são todos os instrumentos agradáveis e relaxantes para nossos ouvidos. Em 2012, um estudo israelense enfatizou que músicas com piano e violino melhoraram a qualidade do sono em indivíduos com estresse pós-traumático. Os pesquisadores reforçaram a importância da utilização deste tipo de instrumentos como terapia, melhorando, inclusive, escalas de depressão.

Em contrapartida, um estudo publicado em 2000 avaliou, com o teste das latências múltiplas do sono, indivíduos sem patologias que se privaram de uma noite de sono. A música oferecida de manhã elevou a latência para o início do sono: em outras palavras, após a privação de sono, o indivíduo que escutou música antes do cochilo pela manhã demorou mais para dormir quando comparado com indivíduos privados de sono que não ouviram música. Este estudo mostrou que pacientes que ouviram música tiveram aumento dos batimentos cardíacos e provavelmente a música foi excitatória para o sistema nervoso central. Musicistas com “ouvido absoluto” podem se desconcentrar para dormir por se atentarem nos acordes, ritmos e timbres diferentes. Há também pessoas com hipersensibilidade que acreditam que a música atrapalhe o embalar do sono. 

Se for escolher a música como método de relaxamento pré-sono, avalie se ela é benéfica para você. Escolha músicas que te agradam, com intensidade adequada, com instrumentos suaves para seu ouvido e observe se isto o acalma, relaxa e proporciona um sono prazeroso.

Fonte: Dr. Danilo Sguillar é médico otorrinolaringologista, médico do Sono e diretor da ABMS.

Foto: Freepik

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