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Desde quando foi descrita, em 1976, por Guilleminault e Dement, a apneia obstrutiva do sono (AOS) tem sido alvo de númeras pesquisas por sua alta prevalência e seu caráter multifatorial. Conhecer uma doença que se manifesta enquanto dormimos, comprometendo a qualidade de vida de seus portadores, é instigante por diversos aspectos: quadro clínico diversificado,   diferentes fenótipos e amplainterface com outras afecções crônicas. 

Tal diversidade trouxe consigo o desafio de construir uma métrica que classifique a AOS quanto à gravidade. Então, em 1978, foi criado o Índice de Apneia (IA), descrevendo o número desses eventos por hora de sono. A tomada de decisão terapêutica pode, a partir de agora, ser orientada por faixas de   referência assim como outros exames laboratoriais. Porém, apenas descrever as pausas totais da respiração durante o sono não foi suficiente. Com o conhecimento das hipopneias, por meio de critérios diferentes dos atuais, surgiu o Índice de Apneia e Hipopneia (IAH), amplamente aceito para descrever a gravidade da doença. 

Após esse fato, tornou-se hábito para muitos profissionais direcionar a atenção para o IAH quando analisam o laudo da polissonografia, surgindo a questão: seria esse índice suficiente para definir a gravidade da apneia obstrutiva do sono?

MITO. Ao avaliar um indivíduo com queixas respiratórias de sono, estamos diante de variados sinais e sintomas que apenas uma medida matemática não conseguiria explicá-los. Um exemplo clássico é a Síndrome da Resistência das Vias Aéreas Superiores, caracterizada por uma limitação de fluxo respiratório com consequências diurnas, não compreendida no critério que o IAH determina como gravidade. 

Outra medida que merece atenção especial é saturação da oxi-hemoglobina durante o sono. Além do valor mínimo e médio, o Índice de Dessaturação da Oxi-hemoglobina (IDO) deve receber maior valor na condução de um caso suspeito. Atualmente, conhecemos o grande impacto das dessaturações recorrentes nos desfechos metabólicos e cardiovasculares em portadores da AOS. Soma-se a isso o fato de que essa doença pode ter diferentes fenótipos, portanto, variadas manifestações, o que implica na obtenção do maior número de dados e informações para definir uma terapia mais assertiva. 

É inegável o pioneirismo e a importância do IAH. No entanto, o desenvolvimento de pesquisas sobre os distúrbios respiratórios do sono trouxe paradigmas que essa métrica isoladamente não consegue transpor. Quando se fala de gravidade, a fragmentação do sono e a oximetria devem ser consideradas diante de uma doença tão heterogênea. Além do mais, novos marcadores clínicos estão sendo estudados para proporcionar maior precisão quando associados ao IAH na decisão terapêutica da AOS.

Dr. George do Lago Pinheiro é médico otorrinolaringologista, com atuação na área da Medicina do Sono.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Pevernagie, D. A. et al. On the rise and fall of the apnea−hypopnea index: a historical review and critical appraisal. J Sleep Res. 2020;00:e13066.

Rashid et al. The Value of ODI for Diagnosing OSA. Laryngoscope, 00:1–8, 2020 .

Fonte: Por Dr. George do Lago Pinheiro, Revista Sono – Ed. 22 (Abril, Maio e Junho  2020)  – Uma publicação da Associação Brasileira do Sono.

Foto: Freepik

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