fbpx
ADS

Pesquisa mostra que a exposição à luz do dia, principalmente pela manhã, contribui para a qualidade do sono

A forma como as pessoas são expostas à luz do sol ao longo do dia pode estar associada com a qualidade e a arquitetura do sono. Essa é uma das conclusões da pesquisa “Ligando a exposição à luz e o sono subsequente: um estudo de polissonografia em campo em seres humanos”, publicada na revista científica Sleep (dezembro, 2017). 

O trabalho analisou o efeito da exposição à luz nas características do sono, envolvendo 20 participantes saudáveis, sem problemas para dormir. “Eram voluntários de cronotipos diferentes – matutino extremo, intermediário e vespertino extremo – que foram monitorados por actimetria com sensor de luz por uma semana nas suas vidas rotineiras. Em seguida, mediu-se o início de secreção de melatonina sob luz de baixa intensidade (DLMO – Dim Light Melatonin Onset) para acessar a fase dos ritmos circadianos e depois duas noites de polissonografia para verificar a estrutura do sono”, explica Prof. Mario Pedrazzoli, biólogo, professor Livre Docente em Cronobiologia Molecular, Comportamental e Epidemiológica, na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo. 

A pesquisa mostrou que a exposição à luz do sol não apenas regula o ritmo circadiano do ciclo sono-vigília como também a arquitetura e a homeostase (um tipo de compensação) do sono. “Classicamente se sabe que os ritmos circadianos, incluindo o ritmo sono/vigília, são regulados pelo ciclo claro/escuro. Significa que os horários de dormir e acordar são regulados em função de como alguém se expõe à luz. Por outro lado, sabe-se que a duração e a qualidade do sono são reguladas por forças homeostáticas. A novidade é que a forma de exposição à luz também está associada com a regulação homeostática do sono”, diz Prof. Pedrazzoli.

Os resultados mostraram que a fase atrasada do ritmo circadiano foi associada à exposição com menor intensidade e mais tardia à luz do dia, além do horário de sono mais tardio. Aqueles que tiveram a exposição à luz mais tarde tiveram mais despertares durante o sono subsequente e latência mais curta para o primeiro episódio de sono REM (Rapid Eye Movement). Ainda, aqueles com menos exposição à luz tiveram uma porcentagem maior de sono REM modulada pela fase do ritmo circadiano. Por outro lado, observou-se que a acumulação de sono de ondas lentas foi maior após a exposição à luz na intensidade máxima e a exposição mais precoce à luz do dia. 

Existem duas explicações, ainda hipotéticas, sobre como a exposição à luz interfere no sono. “Uma delas é que como a luz regula o sistema de  temporização circadiano e este interage com o sistema que regula a homeostase do sono, haveria uma ação indireta da luz neste último sistema. Outra explicação é que vias de transmissão do sinal luminoso no sistema nervoso teriam ação direta no hipotálamo anterior, que é a região em parte responsável pela regulação homeostática do sono. As hipóteses precisam ser testadas experimentalmente”, explica. 

Os achados dessa pesquisa poderão alterar a compreensão atual da regulação do sono e sua relação com a exposição prévia à luz do dia. “Os resultados fornecem elementos teóricos para que parte dos distúrbios de sono, principalmente relacionados à insônia, sejam tratados a partir de esquemas de exposição controlados ao ciclo claro/escuro natural”, conclui Prof. Pedrazzoli.

Fonte: Prof. Mario Pedrazzoli. Revista Sono – Ed. 19 (Julho, Agosto e Setembro 19)  – Uma publicação da Associação Brasileira do Sono.

Foto: Freepik

ADS

Enviar meu comentário